Do chão, não passo.
Algumas notícias não tem como serem dadas de outra forma: eu bati, sábado. E, pra quem não sabe, sou motoqueiro. E, motoqueiro, quando bate se esparrama pelo chão se estrupica.
O que aconteceu, resumidamente: o fdpfdpfdp abençoado estava na faixa da direita, eu na do meio, quando ele resolveu que ia pegar o retorno (à esquerda, obviamente). Então, como bom cidadão uberlandense que ele é, o que fez? Deu seta e foi. Olhar pra trás é para os fracos. Buzinei, ele tentou tirar o carro, mas ainda assim esbarrou, perdi o controle da moto e fui cair logali na frente, graças a Deus deu pra tirar a perna antes que a moto caísse.
O rapaz que estava no carro atrás de mim era do Corpo de Bombeiros, e já deu uma garibada super de boa, ver se tava tudo ok, e, ainda bem, da mesma forma, que foi na frente da Uniminas, e tava tendo (n)Enem, uma policial viu tudo, e pelo rádio mesmo já chamou os paramédicos (Resgate, dos Bombeiros), e a polícia pra fazer o B.O. Nisso, o tio (já era um senhor, que bateu em mim) estava desesperado. No momento tava tudo bem, eu doido pra fazer alguma coisa, mas simplesmente não podia mexer. Nada. Liguei pra minha mãe, liguei pra Aline, mandei algumas sms urgentes, pra algumas pessoas não ficarem me esperando, e fiquei mofando no sol.
(Tenho que abrir um parênteses aqui pra comentar da ignorância – não há outra palavra pra isso – dos uberlandenses, que, quando vem um carro com a sirene ligada, seja de Bombeiros, Ambulância ou da Polícia, simplesmente NÃO SE MOVEM. O Resgate demorou exatamente vinte e cinco minutos pra chegar ao local do acidente por causa do engarrafamento – numa cidade de 700 mil habitantes – porque ninguém abria espaço.)
Chegaram então os policiais pra fazer o B.O. e os bombeiros, praticamente ao mesmo tempo, os bombeiros fizeram todo o procedimento necessário (conferir se tinha alguma costela quebrada, onde tava doendo, colocar o colete cervical, pra não mexer o pescoço) rapidinho, e já me colocaram na viatura e fui embora.
O pessoal de uma presteza e de um carisma assim, inigualável. Todos que me atenderam eram recém-concursados, dois faziam faculdade, e foram conversando super amigavelmente durante todo o trajeto, explicando o que podia e não podia ter acontecido, falando sobre o trânsito, a demora, pra onde ia, etc.
Chegamos na UAI (Unidade de Atendimento Integrada) do Planalto em menos de cinco minutos, já direto pra sala do médico, encosta daqui, encosta dali, cutuca aqui, faz meia dúzia de perguntas, manda pro Raio-X, já tira a chapa, volta pra sala, dá uma olhada, e...
Quebrei a clavícula. Só isso, graças a Deus, colocou uma faixa e tudo tranqüilo.
Tá, nem tudo. Tem dia que dói paca, tem dia que fica tranqüilo. Mas acontece, recuperação é assim. =)
E, enquanto eu ia pra UAI, diz meu pai que o tio tava prestando depoimento, no B.O.
-Não, seu guarda, eu não tava errado não, ele tava correndo, nem deu tempo de ver ele...
-A quanto que ele tava? – pediu meu pai, já ficando grilado comigo
-Ah, uns 40, 50 por hora.
-E ele tava correndo? É, ele não tava parado né. A sua sorte é que ele tava andando certinho, se fosse outro motoqueiro, desses doidos por aí, o senhor tinha matado ele.
Diz que o tio empalideceu.
Bradescuzinho do meu coração
Taí, antes mesmo de fazer a crítica já mudei bastante de idéia. Esses dias estava tentando organizar as idéias pra um post criticando o Bradesco, por alguns inúmeros fatores, quando o tal banco me surpreende, duas vezes: uma boa, outra nem tanto.
Primeiro, começaram os problemas com o Bradesco da Afonso Pena (aqui em Uberlândia). Foram quase quatro horas na fila pra abrir a conta-salário (mesmo com todos os documentos necessários, todas as assinaturas exigidas e toda burocracia pronta) foram três horas e lá vai cacetada pra chegar à uma atendente responsável por abrir a conta. Não havia lugares para todos sentarmos e poucos atendentes (embora fosse uma segunda-feira normal) – só duas abriam as contas, embora houvesse vários funcionários, hm, bastante tranqüilos eu diria.
De qualquer modo, o atendimento era leve, e apesar de toda a carga de trabalho pressionando, ambas atendentes estavam com um bom-humor – impressionante.
Daí o burro aqui resolveu que ia esquecer aquelas malditas letrinhas – e sem letrinhas, não se faz porcaria nenhuma. Não, não é que eu estava em dúvida, mas eu realmente não fazia nenhuma idéia de que letras EU tinha escolhido – óh, ironia.
Xingando três gerações de castores pela ausência de hemisfério direito inferior no meu cérebro (/responsável pelas memórias, até onde se sabe), fui quase me arrastando para a minha agência.
(Taí uma forma interessante dos bancos. Minha agência? What the heaven? Tem certeza que eu su responsável por aquilo? – é só uma forma de tirar a culpa do banco. Posso até ouvir a voz da atendente O Sr. deverá estar se encaminhando para a SUA agência para que eles possam estar resolvendo o SEU problema – olha que coisa, a culpa é praticamente SUA, man!)
Chegando lá, pensei estar no cenário de Advogado do Diabo, não parecia ter vivalma por ali, até que... pra variar a porta automática resolve me travar, of course. Não, eu nunca consigo passar de primeira pela porta. Posso tirar chaves, moedas, máquina digital, celulares, capacetes, canivetes, laptops, maçaricos, ou até uma prensa portátil, não importa: eu nunca passo. É impressionante.
Aí chegou o tiozim, sempre afoito em ser pró-ativo e ganhar uma promoção da chefe, e disse: deve ser o arame do carderno. OI!?
Tá, que seja, não vou discutir. Entrando (de fato) na agência, depois de desligada a porta, me encaminhei aos serviços gerais, que ficava quase onde seria a despensa, se aquilo fosse um restaurante. ÓBVIO que lá tinha fila. Mas é LÓGICO que teria. Mas era menor que a dos caixas, se isso serve de consolo.
Mas em cinco minutos fui atendido pela única pessoa que lá estava.
Alguém sacou o que eu disse?
Fui, meio crente de que tinha alguma coisa errada, expliquei a minha burrice antológica, ela sorriu, pediu o cartão e falou que ia bloquear e desbloquear o acesso para que eu pudesse escolher novas letras ( D: ). Mas antes de terminar de falar, ela já tinha devolvido o cartão. Não entendi, e falei Ãhm?
Ela olhou pra mim com aquele olhar de mãe, e disse
Pode ir lá fora, já tá liberado.
Oi?
É só ir no caixa automático, e escolher uma nova combinação.
Já?
Já, senhor.
=O
E fui. Sim senhores, em cinco minutos fui ao banco, peguei uma fila, resolvi meu problema e voltei à pacata vidinha de interior. Surpreendente.
Mas, como é comigo, tudo não acaba bem assim.
Depois de rapelar minha conta pra pagar minhas dívidas (salário SUPER atrasado, considerando que já até saí do estágio), sobrou uns trocados. Ah, ‘tô fazendo nada mesmo, põe a grana aí na poupança vinculada né, Bradesquinho do meu coração?
Poor thing, diria uma personagem de Sweeney Todd. No outro dia, precisando de crédito para o meu celular, fui atrás do trocado.
Não estava na Conta Corrente. Não estava na Poupança. Tirei um extrato, pra conferir – constava a transferência. Deus sabe onde foi parar meus centavos. Ô laiá, e lá foi o Bradesco de novo parar na minha lista de ódio.
Só no CJ, mano jhow.
Anos atrás eu costumava dizer "Coisas bizarras acontecem no A-121". E hoje, eu tive prova de que, por mais que o mundo dê voltas, ainda estamos no mesmo lugar.
A-121 é o ônibus que passa na porta de casa, o Cidade Jardim, linha pequena, com geralmente apenas um ou dois veículos, que passam de meia em meia hora, ou de hora em hora. E, sabe lá Deus porquê, talvez pelos atrasos que antigamente eram constantes (eu mesmo já cheguei a ficar duas horas e meia sentado esperando o ônibus), as pessoas costumavam conversar no ônibus.
Então, desde 2003, quando estava na oitava série, eu pegava o ônibus, até o começo do ano, quando minha mãe comprou a moto. Mil e um detalhes e desacertos me levaram a voltar para o ônibus esse mês [/espero que acabe em breve, mas nada contra], e não é incomum encontrar os conhecidos (?!) -que não sei, nunca soube nem o nome- daquela época.
Hoje, então, sentou há dois bancos de distância uma mulher, já quase senhora, mãe de uma menina (hoje a menina trabalha como recepcionista), sentou perto de mim, e, como sempre, nos cumprimentamos e ficou por aí.
Passando ali pelo extra, meus pensamentos acerca da moto foram interrompidos grotescamente pelo motorista parando, logo depois da esquina.
Uma nota ali, do lado da lixeira, no meio do quarteirão
Dinheiro, moço, ali, dinheiro - gritava e apontava algum lugar que nao conseguia ver
Não, ele não vai pegar - falou o motorista de repente
Ali óh, a nota!
Vou lá
E, o motorista SAIU do ônibus, correu dois quarteirões e pegou uma nota de vinte reais. Agora, assim, todo mundo ficou abismado pela visão do motorista, ele viu uma nota de vinte, perto de uma lixeira, a cinquenta (sem trema, novo acordo ortográfico) metros de distância, em um quarteirão que ele não ia passar.
O que ele disse?
Dinheiro eu vejo de longe.
Até o terminal central, foram só histórias, lá no fundão sobre perder e achar dinheiro. De corrente de ouro pulando no pescoço a duzentos e cinquenta reais em chão do supermercado ouvi de tudo.
Acredito? Não sei. Acho que nem nesse ônibus eu acredito.